DISLEXIA

A dislexia de desenvolvimento ou perturbação específica da aprendizagem da leitura é uma das dificuldades de aprendizagem mais frequentes e uma das principais causas de insucesso escolar que afecta, primeiramente, a capacidade para ler palavras (com precisão e com fluência) e para escrever (correctamente do ponto de vista da ortografia). Abrange dificuldades ao nível da consciência fonológica, da memória verbal e da velocidade no processamento de informação verbal (Rose, 2009).

Etimologicamente a palavra dislexia deriva do grego e significa dificuldade (dys) em lidar com a palavra (lexia). A Associação Internacional de Dislexia (2003), define-a como dificuldades no reconhecimento preciso e/ou fluente na leitura de palavras, na ortografia e na descodificação. Tem uma origem neurobiológica e o défice nuclear situa-se no módulo fonológico da linguagem, isto é, na componente da linguagem que processa os sons da fala (fonemas). Apesar de uma instrução adequada e de outras competências cognitivas, estas dificuldades são inesperadas. Como consequências secundárias desta perturbação podem surgir dificuldades de compreensão da leitura e níveis de vocabulário e de conhecimentos gerais reduzidos, que resultam da falta de experiência de leitura.


A dificuldade de processamento fonológico inerente à dislexia pode resultar que esta perturbação se expresse de diferentes formas. Alunos com dislexia podem apresentar dificuldades ao nível da leitura, da ortografia e da escrita mas também é possível que as dificuldades de alguns se restrinjam à ortografia e à escrita.
A dislexia é também um problema persistente, mas ao longo do desenvolvimento tende a expressar-se através de diferentes formas de acordo com a fase de desenvolvimento e com as aprendizagens. Por exemplo, uma criança com dislexia que frequente o 1º Ciclo do Ensino Básico pode ter dificuldade em ler com exactidão mas um adolescente pode apresentar apenas dificuldade ao nível da velocidade e/ou da expressividade da leitura (fluência).


PREVALÊNCIA E OCORRÊNCIA
Em Portugal estima-se uma prevalência de 5,44% (Vale, Viana, Sucena e Correia, 2010) entre o 2º e o 4º anos de escolaridade básica, semelhante entre rapazes e raparigas. Numa turma de 25 alunos poderá existir pelo menos um aluno com dislexia. Esta perturbação pode ocorrer em todos: os estratos socioeconómicos, os níveis de educação parental, os níveis intelectuais e em todas as línguas.

Frequentemente verifica-se uma elevada taxa de ocorrência familiar. A dislexia é tanto familiar como hereditária. Estudos indicam que entre 23% e 65% das crianças que possuíam um dos pais com um diagnóstico de dislexia foram também elas diagnosticadas com esta perturbação (Scarborough, 1990) e que a percentagem de irmãos com dislexia é aproximadamente de 40% (Pennington e Gilger, 1996). Estes dados alertam-nos para a possibilidade de efectuar uma identificação de risco precoce em crianças e muitas vezes uma tardia, mas útil, identificação de adultos afectados.

As dificuldades de leitura e de escrita são variáveis e devem ser compreendidas ao longo de um espectro entre dificuldades ligeiras até manifestações acentuadas.

Os indivíduos com dislexia apresentam uma elevada taxa de co-morbilidade (ocorrência simultânea de duas ou mais perturbações). Frequentemente surgem dificuldades noutros domínios cognitivos e académicos mas que não são exclusivos ou essenciais para um diagnóstico de dislexia: atenção/concentração, linguagem oral, matemática, coordenação motora, funções executivas... o que em conjunto com a severidade dos défices fonológicos reforçam a ideia de expressões individualizadas e a necessidade de intervenções diversificadas. 70% das crianças com dislexia têm outra perturbação, mas apenas uma percentagem muito reduzida apresentam 3 ou 4.

Dia-a-dia de uma criança com dislexia:
www.nessy.com/trainingfilms.aspx?id=1&category=2